• Alessandra Girotto

Do que você se defende?

Semana passada tirei uns dias pra visitar meus pais e minha família - o que não fazia há quase 2 anos... É muito tempo, não é? 


Tenho olhado pra isso há uns bons anos já e me questionado em vários sentidos, pois isso é um padrão que trago há cerca de 20 anos.

O que me leva a não buscar e retomar esse contato? Porque me manter longe? O que (acho que) ganho com isso? São perguntas que tenho me feito há tempos e cada vez que me pergunto isso, junto com outras coisas parecidas, acho uma camada de ilusão criada por mim pra me defender.

Mas, me defender de que? (essa é a grande questão, não é mesmo?)

Bom, pra começar a gente se defende de várias coisas - boas e ruins. E no geral (e é bem "no geral" mesmo), a gente tem medo e se defende de sentir. E isso vale mesmo para quem acredita que sente muito, que não tem problemas nesse aspecto. No fundo no fundo, se olharmos com sinceridade, percebemos que ali há também um certo medo de sentir... Ele é fruto daquele sentir real, bem profundo, sabe?

Quando "sentimos muito", com grande intensidade e sem o menor controle, é muito comum descobrirmos que estamos o tempo todo nas nossas emoções secundárias, nas emoções que criamos para nos defendermos justamente dessa dor original - aquela coisa frágil e preciosa que guardamos bem lá dentro e temos medo de ver e sentir.... E cuja cura passa justamente por atravessá-la. 

Mas, o que isso tem a ver com as questões que trouxe? Tudo, visto que estou me defendendo ao não voltar. Uma parte minha se defendia de recriar ferida infantil (afinal, longe dos olhos, longe do coração, não é mesmo? - mas isso é uma mentira quando se trata dos nossos processos internos. A dor está ali e ela quer ser vista e curada. E isso irá acontecer no dia a dia, eu estando diante do que gerou a ferida original ou não...  Outro fator que com o qual me impedir de ir era justamente a saudade. Já estava "ok" com ela (tradução: já escondi ela bonitinho aqui dentro... Se eu ver todo mundo de novo vou ter que lidar com isso de novo e eu não quero... Dói.)


E daí, o que faço? Me trapaceio, me saboto, criou mil e uma coisas pra fazer que não me permitem ver e estar com quem amo e com quem é importante pra mim...


Isso só pra dar alguns exemplos, vou parar por aqui pra não ficar absurdamente grande.  Mas queria deixar a pergunta: como é pra você? Do que você se defende? Como você se impede de criar vínculos?


Esse é um assunto que dá MUITO pano pra manga...


Alessandra Girotto – Sou Psicanalista, Coach, MoonMother, Ativadora de TendaVermelha e Terapeuta Holística. Focalizo Dança Circular e Círculo de Mulheres desde 2015. Atualmente participo do Programa “Pathwork® de Transformação Pessoal” e da formação nas “Novas Constelações Familiares”.

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