• Alessandra Girotto

Eu e minha criança

Atualizado: 19 de Dez de 2020

O que passamos em nossa primeira infância - e isso vai desde a gravidez - é determinante pra vários padrões posteriores na nossa vida. É nessa fase que aprendemos como devemos nos comportar, o que garante uma boa relação com os pais, assim como o que causa a má.


Nela aprendemos como o amor chega, se chega, e o que precisamos fazer para mantê-lo. Assim como aprendemos a não esperar mais amor, se foi esse o caso.

Independente de como foi nossa infância, TODAS passamos por algum tipo de carência, crises, medos, rejeições, situações onde nos sentimos abandonadas injustiçadas ou humilhadas.


Enquanto adultas, as situações que enfrentamos e que passamos nos fazem reviver boa parte dessas feridas que ainda não foram vistas, sentidas, organizadas e cicatrizadas. O fato de carregarmos essas dores infantis faz com que nossas reações muitas vezes sejam bem maiores do que o esperado (o que nos assusta e assusta o outro).

Porém, o sofrimento maior vem justamente porque não queremos sentir a dor que gerou a ferida. Quando criança demos um jeito e nos protegemos disso. Agora, enquanto adultas, reagimos para que a ferida não seja cutucada. Para que fiquem longe.

No fundo dessa reação é como se fôssemos morrer, tamanho a dor e o medo da crise. Parece absurdo e impossível de lidar… Porém, quero te contar que não é.


Então como faz?

Bom, pra lidar primeiro preciso me aproximar novamente da minha criança.


Ganhar a confiança dessa nossa parte.


Ouvir o que ela tem pra nos contar, acolher... Aos poucos passamos a permitir que essa parte se expresse e, nisso, também sentir o que nossa criança sentia. Isso permite a cura, a cicatrização.


É um passo que demora um tempo - um tempo que precisa existir e ser respeitado.


Portanto, pra hoje eu quero apenas que você se conectem de alguma forma com sua criança. Pode ser resgatando uma foto de você quando era bem nova. Pode ser fazendo um desenho dela. Pode ser escrevendo uma carta. Pode até ser através de uma boneca ou almofada.


Não importa o que você use, desde que sirva para te ajudar a olhar pra você, pra essa sua parte infantil, dependente, carente e pequena.


Observe o que você sente ao dar esse passo de proximidade e, se já conseguir, diga a ela que você sente muito por não ter conseguido olhar pra ela antes, que você não sabia disso (se for o caso), mas que a partir de agora você fará o possível para conhecê-la melhor e se conectar mais vezes com ela. A cada dia um pouco mais. Porém, como você ainda está apenas aprendendo o processo, pode ser que demore um pouco até compreendê-la bem - mas que você quer.


🦋 𝑨𝒍𝒆𝒔𝒔𝒂𝒏𝒅𝒓𝒂 𝑮𝒊𝒓𝒐𝒕𝒕𝒐 – Sou mãe, psicanalista e consteladora. Trabalho conjuntamente com várias terapias complementares e atualmente participo do Programa Pathwork® de Transformação Pessoal.

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