• Alessandra Girotto

Que, nesse natal, possamos dar espaço para nossa essência

Quem aqui já ficou perdido entre dois mundos tão diferentes? Tentando desesperadamente fazer aproximar, unir?


Apesar de sabermos a receita e termos os ingredientes básicos, nem sempre isso é possível. Isso porque às vezes um é terra e o outro é mar, tão distantes em temperamento quanto o sol e a lua - não sendo nem melhor e nem pior, apenas diferentes.


Diferentes num nível bem básico...

A primeira vez que me vi diante desse cenário foi durante a primeira vez que me separei do meu ex-marido. Na época veio como uma história do Rubem Alves chamada "A Selva e o Mar". Eu contava e recontava pra minha filhe numa tentativa de explicar o divórcio de uma maneira lúdica.



Nessa história a mãe era o mar e o pai era a selva. Eles tentaram e tentaram de todas as formas permanecerem juntos, mas a natureza dos dois era absurdamente diferente e, ficar, era igual a morrer.


A segunda vez foi na época do divórcio oficial, muitos anos depois. Dessa vez a cura veio vestida do conto "Pele de Foca, Pele de Alma" - trazido pela Clarissa P. Estes no livro Mulheres que Correm com os Lobos.


Tanto a Clarissa quanto o Rubem Alves tentaram mostrar uma coisa que é muito difícil de ser vista e aceita: só o amor não basta.

Quando duas pessoas tão distintas se unem e tentam ficar juntas o amor muitas vezes não é suficiente - e tudo bem não ser.


O problema vem se resolvemos nos rebelar contra nossa natureza ou a vida. Se negamos quem somos pra tentar se adaptar ao outro (seja quem for).


Quando negamos nossa natureza instintiva, selvagem. Quando negamos nossa essência - mesmo que "em nome do amor" - nós nos negamos e morremos ao poucos



Sem perceber vamos definhando... esquecendo quem somos e o que nos nutre.


Sem perceber o amor que unia pode virar ódio. É preciso tomar consciência do que estamos fazendo conosco e decidir parar com o ciclo. Decidir retomar nossa essência e a nós mesmos.

Esse dilema é algo que pode aparecer fora, como numa relação, ou dentro, com aspectos nossos que são contraditórios.

Não importa a fonte: é preciso dar a cada um o próprio lugar, a próprio nutrição.

Assim como o direito de existir.

Disso pode vir um filho bom, forte e amado. Que é fruto da união dessas duas partes, que caminha pelos dois mundos seguro, livre e divino.

Que possamos dar espaço para nossa essência e, assim, permitir que a criança dessa união possa ser livre e viver. "Pensava que o corpo era feito de carne, de sangue e de ossos? Puro engano. Nosso corpo é feito daquilo que o amor pôs lá dentro" (Rubem Alves)


🦋 𝑨𝒍𝒆𝒔𝒔𝒂𝒏𝒅𝒓𝒂 𝑮𝒊𝒓𝒐𝒕𝒕𝒐 – Sou mãe, psicanalista e consteladora. Trabalho conjuntamente com várias terapias complementares e atualmente participo do Programa Pathwork® de Transformação Pessoal.

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