• Alessandra Girotto

Sobre memórias e mudanças

Vocês já repararam no quanto uma lembrança pode mudar?

Nossa memória, ou o que lembramos a respeito do que nos aconteceu, muda por VÁRIOS motivos – e isso não necessariamente significa que estamos mentindo para nós mesmos ou para os outros.

Um dos motivos pode ser (auto) proteção. Nesse caso apagamos ou modificamos a lembrança daquilo que nos causou um forte estresse ou trauma. Com o intuito de nos defender, nosso sistema pode gerar um “blackout” e apagar tudo o que acredita ter a ver com o fato doloroso, ou até modificar e alterar alguns detalhes (normalmente os mais doloridos).


Assim, quando aumentamos nossa capacidade de sentir e lidar com frustração ou dor, ou mesmo quando passamos a diminuir nossa censura interna, os fatos que antes haviam sido removidos ou transformados na nossa memória podem vir à tona, sem perigo.

Mas existe também uma outra forma disso acontecer e que já presenciei várias vezes: trata-se de quando consigo ampliar minha visão e ver outros pontos de vista sobre o assunto. Isso acontece, por exemplo, quando contamos e recontamos uma história (dolorida ou não).

A cada vez que reconto e acesso ela novamente, sou convidada a rever os pontos de vista, observar com novo olhar a cena.


Quando faço isso de um novo lugar interno, depois de me dar tempo de respiro e “digestão”, muitas vezes posso ver e recordar coisas que não recordava antes. Daí, um pai que eu recordava apenas como vilão ou ausente pode passar a receber um lugar de carinho no meu coração.


Depois de dar lugar e sentir a raiva da minha criança, consigo ver que no fato lembrado não existiu apenas a injustiça que minha menina sentiu, mas houve também amor do outro lado. Com isso eu amplio minha visão, minha memória e meus vínculos.

Alessandra Girotto – Sou Psicanalista, Coach, MoonMother, Ativadora de TendaVermelha e Terapeuta Holística. Focalizo Dança Circular e Círculo de Mulheres desde 2015. Atualmente participo do Programa “Pathwork® de Transformação Pessoal” e da formação nas “Novas Constelações Familiares”.

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